quarta-feira, 2 de maio de 2012

Imaginação

Vossos olhos, menina, que competem

Com o Sol em beleza e claridade,

Enchem os meus de tal suavidade,

Que em lágrimas de vê-los se derretem.


Meus sentidos prostrados se submetem

Assim cegos a tanta majestade;

E da triste prisão, da escuridade,

Cheios de medo, por fugir remetem.


Porém se então me vedes por acerto,

Esse áspero desprezo com que olhais

Me torna a animar a alma enfraquecida.


Oh gentil cura! Oh estranho desconcerto!

Que dareis um favor que vós não dais,

Quando com um desprezo me dais vida?



Jorge Oliveira

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